Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Sou totalmente contra


Está praticamente definido. O quarto time da capital se chamará Sport Club Corinthians Paranaense.

Detalhes no link: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/esportes/conteudo.phtml?tl=1&id=852539&tit=Corinthians-Paranaense-sera-obrigado-a-usar-a-bandeira-de-Sao-Paulo

A idéia surgiu depois da divulgação de uma ampla pesquisa em que o clube paulista aparece na frente dos clubes paranaenses, em número de torcedores.

O novo clube será obrigado a utilizar a bandeira de São Paulo no escudo. Ai vem a pergunta. Porque um time paranaense terá como símbolo a bandeira de outro estado?

A origem é histórica. O Paraná foi intensamente colonizado por paulistas e por gaúchos no passado. Eles trouxeram as suas tradições para o estado. Trouxeram também a sua força de trabalho. Como eles foram benéficos em alguns pontos, em outros pontos o nosso estado tem um problema de definição de cultura.

Há uma clara divisão da capital para o interior, que só contribui para essa cultura fraca que nosso estado tem. Como o futebol é cultural, ele também sofre essa influência.

Agora utilizar disso para formar um time, me parece mais uma tentativa desesperada de Joel Malluceli, de transformar o time de sua família em alguma coisa representativa em nosso futebol.

Se vai dar certo ou errado, é difícil saber, porém isso arranha ainda mais a imagem de nosso futebol. Por que o Barueri não vira Bahia Esporte Clube? Certamente teria mais torcedores que o time atual.

Mas isso é uma oportunidade para os verdadeiros times paranaenses renascerem. Londrina, Cascavel, Grêmio Maringá, são cidades grandes com uma economia respeitável, precisam de times mais fortes. O trio de ferro, utilizando toda a força econômica, precisa expandir os seus horizontes, principalmente para o interior.

A transmissão do campeonato parananense, e os jogos dos times parananenses no campeonato brasileiro, também darão força e exposição aos nossos times.

Só para exemplo. A 1a. partida da final da Copa Libertadores, entre Fluminense e LDU, não foi transmitida para São Paulo, ao invés disso passou o grande jogo Corinthians e Bragantino pela série B para São Paulo. A 1a. partida entre Internacional e Estudiantes na final da Sulamericana, também não foi transmitida. Passou um filme no lugar. Temos que forçar os moradores do estado do Paraná, a ver os nossos times. Quem quer ver time de outro estado, que pague o pay-per-view, como somos obrigados aqui em São Paulo.

Abraço.

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Como motivar a sua equipe

Ultimamente estamos tendo aulas de como se motivar uma equipe de futebol. São técnicos, vice-presidentes, presidentes dão entrevistas esperneando, e deixando bem claro o seu lado torcedor.

Na maioria das vezes, está refletindo negativamente na mídia, e até os jogadores, que antes adotavam reações comedidas, estão se indignando com a falta de profissionalismo de seus chefes.

Vamos ao exemplo mais claro, Carlos Augusto Montenegro. Ele que é presidente do IBOPE, teoricamente deveria ser um homem sério, porém quando se trata de futebol, ele é conhecido por declarações polêmicas e inoportunas.

Certa vez, com o Botafogo na zona de rebaixamento, aposentou o uniforme número 1 da equipe no ano, pois tinha a gola olímpica. Perguntado o porque, dizia que era o único título que a seleção brasileira não tinha conquistado.

Ano passado, outras declarações polêmicas após a eliminação da equipe na copa sul-americana.

Esse ano, nem esperou o time ser eliminado. Bastou uma derrota, outra vez para uma equipe argentina, para dar uma entrevista onde critica a todos, e escancara a raxa no elenco. Os jogadores não gostaram e criticaram o vice-presidente. Além disso, os salários estão atrasados quase 3 meses. A questão é: Há moral em um vice-presidente criticar com tanta veemencia o seu time, sendo que não paga os funcionários a três meses? Qual é a motivação que ele quer dar?

Em qualquer outra empresa, os funcionários já teriam parado de trabalhar, e começariam greves para receber o que é de direito. No futebol isso não acontece, mas as vezes acredito que deveria, para que alguns dirigentes aprendessem a ser mais profissionais, pagar os seus funcionários, e parassem de falar asneiras.

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Seminário Gestão de Patrocínio de Entidades Esportivas

A ESPM, está oferecendo um seminário que visa apresentar e discutir a gestão de patrocínio em Entidades Esportivas.

Até hoje, é um desafio para as entidades esportivas brasileiras, conseguir patrocínios que realmente sejam benéficos para a sua organização, e atuem no formato de parcerias.

A falta de apoio, inclusive dos meios de comunicação, prejudicam a eficácia dessas parcerias. Emissoras como a Rede Globo, evitam de mencionar o nome de empresas nos seus programas esportivos, inclusive nome de estádios. Assim a exposição fica menor, e também o dinheiro dado.

Vou tentar ir no seminário também.

Endereço do seminário: http://www.espm.br/ConhecaAESPM/Cursos/Pages/Default.aspx?CodigoCursoDetalhe=414

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

O retorno sobre investimento no futebol

No link http://cidadedofutebol.com.br/Universidade/Web/Site/index_area_administracao.asp?arq=artigo.asp&id_cont=1256 , há texto de Katherine Amaya sobre o retorno sobre o investimento no futebol brasileiro.

A questão é complicada, e necessita ser analizada de uma forma atual, pois durante toda a história, o futebol brasileiro sempre foi muito mal administrado.

Hoje, a história começa a mudar. Os balanços sendo divulgados, é um bom sinal de um começo de moralização e de responsabilidade administrativa e financeira.

Há alguns dias atrás, foram divulgadas notícias, em que o presidente corinthiano Andrés Sanchez, falava sobre a luta para a diminuição da divida corinthiana. Explicava que tinham a meta de reduzir para o patamar abaixo de R$ 100 milhões, e que estavam trabalhando em novas fontes de renda, para sanar o clube nos próximos anos.

Pode parecer banal, no meio empresarial, porém no futebol, dirigentes se preocupando com dívidas, e também com planos de saná-la, não é nada comum. Sinais de novos tempos?

Clubes com menos dívidas, com administrações menos passionais, com trabalhos a médio e longo prazo, certamente são fatos que ajudam na confiança dos investidores no esporte.

Claro que não é só isso, mas para atrair investimentos é muito importante um cenário com o menor nível de risco possível, isso é uma coisa que no futebol não se tem. Torcidas impacientes, dirigientes mal preparados sempre botaram tudo a perder, e sempre atraíram pessoas e empresas com índoles questionáveis para gerir os seus clubes, sempre buscando apenas títulos que não se mostraram situações sustentáveis.

O processo é doloroso, porém necessário para elevar o patamar do futebol brasileiro. Mas os clubes estão começando a colher os frutos, como o Flamengo e o Corinthians aumentando suas arrecadações com patrocínios.

A Copa do Mundo FIFA 2014, irá atrair investidores para a reforma e construção dos estádios da competição, porém é necessário o planejamento, pois somente haverá investidores, se houver o retorno.

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Atlético anuncia que cobrará por transmissão via rádio


O mundo esportivo paranaense foi surpreendido com o anúncio do Clube Atlético Paranaense, sobre a cobrança de uma taxa para a cobertura do campeonato brasileiro por rádio.

Após a divulgação da nota pelo site oficial, houve diversas mensagens de repúdio contra a decisão do clube.

Tentarei analisar a medida, e os motivos que levaram a decisão do Atlético da cobrança.

O Atlético, é o clube brasileiro que está na vanguarda do marketing esportivo no Brasil.

Ele investiu num estádio diferente de todos os outros no Brasil, foi ousado ao trocar o escudo do clube, divulgar slogans de campanhas na TV e rádio, fazer parcerias com times internacionais, brigar por mais verba de TV no campeonato paranaense, cobrar um valor mais alto de ingresso, entre outras ações.

Como tudo que é de vanguarda, algumas ações causam estranheza no torcedor, que em sua maioria, não entende os conceitos aplicados pelo Atlético, muitos baseados na realidade européia.

Quem está certo? O torcedor que sonha com ingressos baratos, time com qualidade, bandeira e bateria nas arquibancadas, transmissão em tv aberta entre outros. Ou o clube que tenta de todas as formas marjorar seus ganhos, tentando formar uma nova classe de torcedores, com uma renda maior, que busquem o espetáculo, que comprem camisas oficiais, presentes oficiais, que comprem pay-per-view, que comam um lanche nas lanchonetes da Baixada, que pronunciem Kyocera Arena, ao invés de Baixada, que não joguem copos nos jogadores.

O Atlético com a ação que tomou mostra mais uma vez que não sabe como fazer essa mudança de pensamento. Tentar impor cultura, exige, proíbe. Isso causa resistência por parte dos envolvidos, prejudicando muitos projetos, que em sua essência até fazem sentido.

A Kyocera apostou nos "naming rights", porém o retorno da investida se mostrou muito pequeno. A Globo, principal transmissora de eventos de futebol do país, tem por princípio, não citar nomes de empresas envolvidas. Nem quando o nome do time é uma empresa eles anunciam, imagine quando é apenas o nome oficial do estádio. Assim essa prática no Brasil se torna um pouco falha.

A cobrança das rádios foi feita na mesma linha de imposição, sem nenhum diálogo. Não basta ter uma equipe de marketing que faça estudos dos faturamentos que as rádios tem com publicidade em transmissões de futebol. Falta alguns outros cálculos. Por exemplo. Se o Atlético cobra R$ 15 mil por jogo. Quanto vale o jogo do Flamengo, e do Corinthians. Se formos tomar como base as verbas de televisão do Campeonato Brasileiro, pelo menos 4 vezes mais. Se botarmos que todos os clubes devam receber, vamos chegar a cifras milionárias, pois o valor chegaria a quase R$ 1 milhão para uma rádio transmitir os jogos do Atlético.

Há ainda o quesito jurídico, que o Atlético, com a sua imposição terá que enfrentar.

Como disse um colunista do site da torcida, o Atlético está se tornando o time mais antipático do Brasil. Que marketing é esse?

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Internacional fará perfil de seus sócios

THALES CALIPO
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

Às vésperas do início dos trabalhos focados nas comemorações do seu centenário, que será no próximo ano, o Internacional terá como grande prioridade os seus associados. Além de buscar atingir a marca de 100 mil sócios até o aniversário de 100 anos, o clube também trabalha para conhecer melhor esse público.

Para isso, o clube já trabalha para a implantação de um Consumer-Response Marketing (CRM), ou Resposta de Consumo de Mercado, em uma tradução livre. A idéia é usar essa ferramenta, importada do mercado corporativo, para se aproximar dos seus sócios, descobrindo suas preferências e, de base dessas informações, direcionar melhor os trabalhos.

"Nós queremos medir o comportamento desse sócio, descobrindo quanto ele gasta durante um jogo, por qual portão ele entra, quais produtos eles prefere comprar. Com isso, podemos oferecer uma série de novos serviços", explica Jorge Avancini, vice-presidente de marketing do Inter.

O novo sistema, que deve estar disponível a partir do segundo semestre, será "acoplado" às carteirinhas dos próprios associados. No produto, já foi instalado um chip que permitirá a leitura de todas as informações relacionadas ao consumo do sócio.

"Nós fizemos uma pesquisa com os sócios perguntando quais prêmios eles gostariam de ganhar. Mais de 90% afirmaram que gostariam de prêmios vivenciais com o clube, como uma foto com o ídolo, camisa autografada ou viagem com o time. A minoria escolheu carro, moto, ou outras coisas", exemplifica o vice de marketing do Inter.

Essa medida, também, apoiará outra ação que será criada para atender à demanda. Depois de chegar à marca de 42 mil sócios, em 2006, com um plano que fornecia ingressos dos jogos ao associado, o clube encerrou essa modalidade de associação, mas precisa trabalhar de uma forma a garantir entradas aos outros torcedores.

Dessa forma, o Inter estuda um modelo em que o torcedor que tem direito ao ingresso, mas não pretende usá-lo em determinado jogo, possa ceder a entrada a outra pessoa, prática comum em clubes como o Barcelona, por exemplo.

"Será um modelo de compensação, como um sistema de milhagem. O torcedor terá um crédito, dependendo do campeonato, que poderá ser usado em toda a nossa rede de lojas franqueadas", diz Avancini.

Essas são algumas novidades que devem ser apresentadas nesta sexta-feira, durante o jantar comemorativo dos 99 anos do clube. Outros detalhes do projeto "Centenário para todos", que terá duração de dois anos, além da campanha "Indique sua paixão", para mobilizar os atuais sócios a convidar amigos a se juntar ao quadro associativo, serão alguns dos temas abordados.

Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Copa 2014 é no Brasil

Que grande chance temos...

Que grande chance temos de mostrar que vivemos em um país hospitaleiro, organizado, não corrupto, solidário e pronto para receber o mundo.

Nossa geração será a responsável pelo divisor de águas de um país que sempre esteve no quase. Essa é a chance de mostrar que o Brasil quer deixar o quase, quer ser reconhecido pela qualidade e pelo trabalho do seu povo.

Não quero neste post levantar as questões necessárias para a realização da Copa, porém esse evento pode ser o marco para que a Lei de Gérson para de imperar em nosso país, que seja bom para todos os brasileiros, mesmo que seja no orgulho em receber o mundo daqui a sete anos.

Muito trabalho e responsabilidade pela frente!

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Pontos corridos ou mata-mata?

A eterna polêmica do futebol brasileiro está voltando a tona este ano. Afinal qual será a melhor forma de disputa do principal campeonato nacional?

Ambas as fórmulas tem os seus pontos positivos e negativos, vamos a eles:

Pontos corridos:

- Fórmula mais justa;
- Possibilita maior plaejamento;
- Deixa o campeonato interessante durante toda a sua duração;
- Possibilita venda de pacotes e ingressos promocionais;
- Assegura atividade durante todo o ano nas séries A e B;
- Há a emoção ao torcedor nas várias disputas que ocorre: Título, Libertadores, Sul-Americana, Rebaixamento;
- É mais transparente, pois todos os times tem o mesmo número de jogos, coisa que não acontecia na fórmula anterior;
- É a fórmula mais adotada no mundo. Todos os paises europeus a adotam, inclusive Argentina na América do Sul.
- Para torcedores que querem final há os seguintes torneios que tem final: Campeonato estadual, copa do brasil, libertadores, sul-americana, copa do mundo, mundial interclubes, copa américa. Ou seja o único campeonato que não tem final é o campeonato brasileiro.

Mata-Mata

- Há um maior interesse nas últimas 6 partidas no ano;
- Audiência grande na parte final do campeonato;
- Envolve mais times na disputa do título (Santos 8o. lugar na fase de classificação de 2002, acabou campeão);
- Imita formato das ligas norte americanas de beisebol, futebol americano e basquete;
- Semelhante ao formato do México;
- Se adequa melhor a cultura do povo brasileiro;
- É a preferida da Globo;

Na minha opinião não há dúvidas que se queremos um futebol brasileiro competitivo, com investimentos e com médias cada vez maiores de público, necessitamos continuar com a fórmula de pontos corridos. Ela permite planejamento por parte dos clubes, torna o campeonato rentável, não somente para a Tv e sim para os clubes também, privilegia os melhores e os que tem o melhor planejamento.

Como consta, há muitos campeonatos com finais para o torcedor brasileiro, acredito que valha a pena continuar a investir no formato atual, que valoriza inclusive a Série B que está muito competitiva.

As médias de público são as maiores, há muita emoção com a possibilidade de rebaixamento do Corinthians, e a briga pela libertadores, incluindo inclusive o Flamengo.

A constante ameaça de mudar as regras do jogo, mostram que pessoas como Fernando Carvalho não estão preparadas para comandar e influenciar em decisões do nosso futebol, pois agem como torcedores, impulsivos e apaixonados, quando deveriam estar cuidando da sobrevivência de nossos clubes, que por muitas décadas agonizam e se afundam em dívidas.

Falta responsabilidade e peito para enfrentar interesses televisivos. Os clubes que são o espetáculo, e para que esse espetáculo seja de alto nível, é preciso que os clubes fiquem fortes e consigam contratar jogadores bons. Isso atualmente não aocntece, obviamente isso não é culpa dos pontos corridos.

Domingo, 30 de Setembro de 2007

Atlético apresenta projeto para a Copa


Nesse sábado o Atlético Paranaense apresentou o seu estádio para a Copa do Mundo de 2014.

Com um evento para a imprensa, o clube mostrou o seu projeto de término e reforma da atual estrutura, visando a Copa e também ao término do projeto que começou em 1997.

O projeto está orçado em US$ 30 milhões e não foi definido como o Atlético conseguirá dinheiro para a obra. Segundo o seu presidente, atualmente o Atlético não dispõem dessa quantia.

O estádio foi projetado para 41 mil lugares e será moderno e pronto para receber a Copa.

Dentro de todos os projetos para a Copa, a Baixada continua sendo o mais viável. Está situado numa cidade com um crescimento alto de renda, com indicadores sociais compatíveis com a modernidade do estádio. A capacidade do estádio também vai atender bem a demanda após a Copa.

Outros projetos estão com problemas nas questões de manutenção das estruturas após a Copa, seja nos custos de constução, ou como no seu aproveitamento depois de terminada a competição.

Um caso tipico é do novo estádio do Botafogo, o Engenhão. Pelo custo do estádio, o valor de aluguel que o Botafogo paga, seriam necessários alguns milhares de anos para que o projeto se pagasse com esse aluguel. Ou seja, um projeto que se fosse feito pela iniciativa privada, nunca na realidade seria feito, pois não traz nenhum retorno. O problema que esse estádio foi construído com o nosso dinheiro, dinheiro que foi pago através dos nossos impostos e investido nesse estádio, que foi repassado ao Botafogo (entidade privada). Eu como brasileiro sou totalente contra a esse repasse.

Para a Copa, prcisamos ficar muito atentos para esse mau uso do dinheiro público.

Para o financiamento desses inúmeros projetos, é necessário financiamento privado para essas contruções, um grande desafio pela frente.

Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Capacidade de esconder erros marca cidades candidatas à Copa

Capacidade de esconder erros marca cidades candidatas à Copa
Leandro Canônico
Em São Paulo
Durante a visita da comitiva da Fifa ao Brasil na semana passada, 18 cidades apresentaram candidatura à sede da possível Copa do Mundo de 2014 no país (13 mostraram um vídeo no Rio de Janeiro e outras cinco foram vistoriadas in loco). Independentemente das diferenças, todas mostraram uma característica em comum: enorme habilidade em esconder os seus problemas estruturais.

Maior cidade do país, São Paulo foi a "campeã". Com mais organização, criou um itinerário que evitou colocar os inspetores em meio ao caótico trânsito. E mais: mostrou um vídeo institucional exaltando sua capacidade econômica e estrutural. No meio da apresentação, porém, uma frase chamou a atenção: "São Paulo, uma cidade saudável para viver" - tem os maiores índices de poluição.

Ao término da demonstração da capital paulista, dois inspetores da Fifa tiveram reações positivas. O mexicano Jaime Byrom e o português Jorge Batista trocaram gestos de satisfação, o que raramente aconteceu durante a visita. Isso porque eles estavam proibidos de passar qualquer impressão à imprensa ou aos envolvidos.

A cidade de São Paulo não foi a única a conseguir esconder seus problemas estruturais com maestria. As capitais nordestinas que apresentaram seus projetos no Rio de Janeiro, por exemplo, também evitaram falar dos problemas com a pobreza e valorizaram o forte turismo da região.

Como todas as cidades candidatas tinham um enorme staff de políticos envolvidos, a capacidade de promessa das postulantes à sede aumentou consideravelmente. Sempre que questionados sobre quais os empecilhos do local em relação à Copa do Mundo, um governador, um deputado, um vereador respondia com discursos tradicionais de campanhas eleitorais e apontando o que está sendo feito no local.

"A comitiva da Fifa deve ter ouvido de todas as cidades que apresentaram até aqui os seus projetos os possíveis investimentos, o que eles pretendem fazer. Mas aqui em Brasília já estamos fazendo. E agora com essa lei que despachei já estamos pensando em preparar a criança de agora, que será adolescente em 2014, para ser voluntária", discursou o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

A realidade das cidades, porém, é outra. A maioria delas tem obras estruturais enormes para realizar assim que a Copa do Mundo for confirmada no Brasil (a decisão da Fifa ocorre no dia 30 de outubro, na Suíça). Nenhum estádio está totalmente pronto. Todos, sem exceção, precisarão de ajustes.

E o mais curioso: dos projetos apresentados, há uma diferença muito grande de valores a serem investidos nos estádios quando o dinheiro é privado e quando é público. Florianópolis, por exemplo, tem uma estimativa de R$ 150 milhões para o novo Orlando Scarpelli, só com iniciativa privada. Já a revitalização do Vivaldão, em Manaus, que será bancada pelo governo, tem orçamento de R$ 400 milhões.

As candidatas à sede da possível Copa do Mundo de 2014 no Brasil foram: Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Rio Branco, Florianópolis, Curitiba, Goiânia, Cuiabá, Campo Grande, Maceió, Natal, Salvador, Recife/Olinda e Fortaleza.